Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Um dia Inspirador

Oito da manhã. As pessoas saem do comboio apressadas, colocam-se em fila para passar nas portas automáticas. A manhã está cinzenta, chove. As caras estão fechadas, talvez ainda a dormir ou em modo automato. Seguem para mais um dia de trabalho. Na entrada do metro uma senhora com perto de 50 anos, uma bengala na mão. Parece perdida. Aborda uma jovem. Pede-lhe que a ajude a passar na cancela. O cartão não funciona mas hoje vai ter o passe a funcionar. A jovem recusa. A senhora deambula. Aflige-se. Pergunto se precisa de ajuda. É cega. Sim por favor, para passar na porta automática. Ajudo. Ajudo também a descer a escada. A meio ela desequilibra-se. Felizmente a amparo. Desculpa-se. Ficou nervosa com a situação de não conseguir passar e confessa que apenas perdeu a visão à 16 meses. Ainda não está bem habituada à situação. Mas fala do tema sem pesar, sem mágoa, como um facto consumado. Ajudo-a a entrar no metro e a sentar-se. Acabo por me sentar ao seu lado. Vai falando, conta-me...

Que Estado Quero Eu

Os nossos governantes há mais de um ano que andam numa grande azáfama para combater o défice que não pára de aumentar, a tentar encontrar receitas onde já há poucas e a cortar pouco na despesa. Pensariamos nós que seria de começar ao contrário, pelo menos é o que fazemos na nossa economia doméstica mas aparentemente não é assim. Mas ainda não perguntaram ao cidadão, aquele que afinal paga as contas, de que maneira o que realmente deve o Estado fazer. Nem mesmo a oposição, que não tem ideias podia ao menos consultar os seus eleitores já que não tem dinheiro para contratar consultores e trabalham todos por amor à camisola. Pois bem, que quero eu, simples cidadão, do Estado que supostamente gere a minha vida e toma decisões que a afectam? Gostaria que fosse menos complexo e mais focado no que é a sua razão de ser. Que todos os ministérios e funcionários públicos se lembrassem que estão a prestar um serviço ao cidadão, com o dinheiro do cidadão por isso não só deve ter um bom serviço, ...

E tudo o vento levou

Tinha pensado dar a esta crónica o nome de E tudo o Fisco levou em alusão ao famoso romance de Margaret Mitchell mas de facto o vento está mais em consonância com o temporal que hoje assolou Portugal. E está também alinhado com o "verdadeiro" temporal fiscal que vai afectar os portugueses neste ano de 2013. Ministros portugueses, ministros de outros países europeus, presidentes de países, de parlamentos, de comissões, a todos lhes parece ser esta a melhor receita para combater a crise. Retirar tudo o que as pessoas ganham para alimentar ainda mais máquina estatal com o pretexto de pagamento do dinheiro emprestado que de pouco ou nada vemos. Quando o vento sopra, as árvores abanam e esse movimento parece hipnótico, ficamos paralizados, absortos. Assim parece que o mesmo se passa com os nossos governantes. Parece que a única coisa que parece importar é o dinheiro, é atingir a percentagem da folha de cálculo. Se isso é construtivo? Se isso vai corresponder a um futuro mel...

Ida ao Médico de Familia

São 8h30 e chego ao Centro de Saúde da minha área de residência. A minha consulta "obrigatória" estava marcada para essa hora. Sou obrigada a vir a esta consulta porque caso contrário perco o médico de família que tenho, dado que já passou muito tempo desde que cá vim pela última vez e foram precisos 2 meses de espera por ter esta consulta. Ainda nem sequer tinha ido ao novo centro de Saúde agora localizado no meio de um bairro habitacional que deixou de ser calmo e para o qual nem se conhece bem o meio de transporte que ali nos pode levar. -A Dra. está atrasada- informa-me a funcionária. -Muito bem e quantas pessoas tenho antes de mim? - pergunto para calcular a demora. - Tem 3 pessoas - diz. - 3 pessoas? Mas a que horas é que as consultas começam? Pergunto eu admirada pelo nº de pessoas. - Começam às 8h- explica a funcionária - Mas então como é que podem ter 3 consultas em 30 minutos? - insisto. - São 12 minutos cada consulta minha Senhora. Ordens do Sr. Ministro- ...

Magic Days

A porta está fechada e as prateleiras vazias. Lá dentro apenas o balcão ostenta ainda o nome : Magic Days. Esta é mais uma loja que encerrou as suas portas esta semana em Portugal. Era uma loja de roupa de criança. Roupa colorida, imaginativa, de boa qualidade. Quando apareceu foi uma novidade, rompeu com a tradicional dictomia das cores: rosa para a menina, azul para o menino. Tinha uma oferta variada. É verdade que as coisas não eram muito baratas mas também eram resistentes e isto era importante para os pais pois a roupa não se estragava com tanta facilidade. Era uma loja no coração de Lisboa, zona nobre de comércio. Ali perto um outro centro comercial agoniza. Outrora cheio de lojas e restaurantes, agora quase todo o comércio fechado, uma ou outra opção para comer, uma livraria Bertrand Até quando? Desde que os tribunais que ali existiam fecharam e foram transferidos para a Expo, que as coisas foram morrendo aos poucos. Depois veio a crise, o desemprego. As lojas fecham. Ni...

O Mendigo e as Adivinhas

São 7h 30 da manhã. Vou de comboio a caminho do trabalho. Leio. Em Algés entra um mendigo. Percebo pelas minhas vizinhas do lado que este mendigo já é um habitué mas eu confesso que é a primeira vez que me apercebo dele. Lá atrás oiço o senhor a falar. Parece estar a contar anedotas. As minhas vizinhas continuam a lamentar haver este tipo de pessoas e terem de pedir. Parece que o senhor revela algum atraso mental. Chega ao pé de mim. Os olhos tortos, os dentes ainda mais tortos, obeso, as roupas não totalmente sujas mas rasgadas. Olha para mim e faz-me uma pergunta. Qual é o animal que faz amor consigo próprio? Não sei responder. Responde: o pato que faz amor com as patas. Passa à minha vizinha. Qual é a situação em que as mulheres sabem sempre onde estão os seus maridos? Esta a minha vizinha sabe responder: quando são viúvas. Ele riu-se. Ela também. Já o tinha encontrado em viagens anteriores e já conhecia esta adivinha. Segundo ela, ele usa sempre as mesmas. Ele segue carruagem...

Grafíti

De acordo com o dicionário, grafíti quer dizer e passo a transcrever : Desenho, inscrição, assinatura ou afim, feito com tinta, geralmente de   spray , feito em muros, paredes e outras superfícies urbanas. Fala-se em arte urbana, direito de expressão. Poucos são os grafitis que vemos que podem ser chamados de arte ou desenhos. Na maioria são borrões de tinta que só servem para sujar os muros, vidros, paredes, comboios, lojas. Eu diria mesmo que o que vemos hoje em dia é o uso do grafíti como arte de vandalismo. Estes senhores que se devem auto proclamar-se artistas de grafíti, são acima de tudo vândalos de mau gosto. É bastante desagradável que nos imponham esta arte em especial em zonas de utilização comum já para não falar de muros e paredes privadas. Se estes "artistas" gostam tanto da usa arte porque não pintam a sua casa e deixam as casas das outras pessoas livre da imposição desse acto artistico? É especialmente irritante quando alguém depois de ver o muro da s...