Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

O Mendigo e as Adivinhas

São 7h 30 da manhã. Vou de comboio a caminho do trabalho. Leio. Em Algés entra um mendigo. Percebo pelas minhas vizinhas do lado que este mendigo já é um habitué mas eu confesso que é a primeira vez que me apercebo dele. Lá atrás oiço o senhor a falar. Parece estar a contar anedotas. As minhas vizinhas continuam a lamentar haver este tipo de pessoas e terem de pedir. Parece que o senhor revela algum atraso mental. Chega ao pé de mim. Os olhos tortos, os dentes ainda mais tortos, obeso, as roupas não totalmente sujas mas rasgadas. Olha para mim e faz-me uma pergunta. Qual é o animal que faz amor consigo próprio? Não sei responder. Responde: o pato que faz amor com as patas. Passa à minha vizinha. Qual é a situação em que as mulheres sabem sempre onde estão os seus maridos? Esta a minha vizinha sabe responder: quando são viúvas. Ele riu-se. Ela também. Já o tinha encontrado em viagens anteriores e já conhecia esta adivinha. Segundo ela, ele usa sempre as mesmas. Ele segue carruagem...

Grafíti

De acordo com o dicionário, grafíti quer dizer e passo a transcrever : Desenho, inscrição, assinatura ou afim, feito com tinta, geralmente de   spray , feito em muros, paredes e outras superfícies urbanas. Fala-se em arte urbana, direito de expressão. Poucos são os grafitis que vemos que podem ser chamados de arte ou desenhos. Na maioria são borrões de tinta que só servem para sujar os muros, vidros, paredes, comboios, lojas. Eu diria mesmo que o que vemos hoje em dia é o uso do grafíti como arte de vandalismo. Estes senhores que se devem auto proclamar-se artistas de grafíti, são acima de tudo vândalos de mau gosto. É bastante desagradável que nos imponham esta arte em especial em zonas de utilização comum já para não falar de muros e paredes privadas. Se estes "artistas" gostam tanto da usa arte porque não pintam a sua casa e deixam as casas das outras pessoas livre da imposição desse acto artistico? É especialmente irritante quando alguém depois de ver o muro da s...

Um dia em Portugal

Acordo. Preparo-me para sair para mais um dia de trabalho. Chego à estação dos comboios. Não há comboios, há greve de maquinistas. Já comprei o passe este mês e já vai na 3ª greve do mês, não me descontam os dias em que não posso usar o passe. Vou de carro, a estrada mesmo em greve não está tão cheia como noutros tempos. A gasolina aumentou pela 50ª vez este ano, torna-se impossível continuar a usar o carro e isso já se nota no fluxo de trânsito. Estaciono numa rua onde penso não haver parquímetros. Em geral gostam de nos fazer andar vários metros à procura de uma máquina que funcione para depois voltar tudo para trás para colocar o talão no tablier. Enquanto faço isso, uns senhores com ar de poucos amigos, entretêm-se com uma chave de fendas a furar a máquina e a retirar todo o dinheiro que ali se encontra, em plena luz do dia e quase em frente a um policia fardado que se encontra ao serviço de um conhecido supermercado. Questionado se não vai fazer nada, diz não poder, está em ser...

O 25 de Abril na Escola

NA ESCOLA O "25 ABRIL" Em vésperas das comemorações do 38 º aniversário da revolução do 25 de Abril, que devolveu ao fim de 48 anos a democracia a Portugal, numa escola do Ensino Básico no 1º ano, a professora explicava às crianças o que foi o " 25 de Abril de 1974 ". Então começou por dizer: -Antes desta data havia em Portugal uns senhores que eram muito maus. Não deixavam ninguem falar mal do Governo, pois seriam logo presos, batiam-lhes e até os chegaram a matar. Os jornais, livros, música, rádios, teatro e televisão só podiam dizer às pessoas o que eles queriam. Os trabalhadores e estudantes não podiam fazer greve, os meninos não podiam jogar à bola no jardim em cima da relva e até para se usar um isqueiro na rua era preciso uma licença. Faziam muito mais coisas más. E continuou: -Depois veio o " 25 de Abril " feito pelos militares e o povo, que estava muito zangado, e acabaram com as maldades todas. Chamaram-lhe LIBERDADE e DEMOCRACIA. Como nesse dia...

Portugal em 2032

Também eu acalento um sonho tal como em tempos não muito longínquos Martin Luther King. Sonho com um Portugal diferente e a minha esperança é que no final deste túnel que agora atravessamos, se possa ver a luz e que tudo isto tenha um objectivo, o de efectivamente corrigir o que está mal e evitar que volte a acontecer no futuro. Em 1974, Portugal teve uma revolução e com essa revolução inspirou outros a segui-lo. Mas hoje não estamos mais democráticos nem mais fortes economicamente, não estamos onde poderíamos estar. O meu sonho é que daqui a 20 anos algo se tenha alterado e que Portugal não seja mais conhecido pelo coitadinho, o país dos tristes, do fado mas sim por outros feitos de maior importância e que sejam um exemplo. Já vimos outros países pequenos e sem recursos naturais a conseguirem-no, porque não Portugal? Sonho portanto que seremos o país do mundo com o menor indíce de corrupção pois passámos a ter uma justiça atenta, justa, célere, desburocratizada com uma fiscalizaç...

Juntas de Freguesia - A favor da eliminação

É talvez o único tema em que estou de acordo com o actual Governo. Já antes deste vir defender esta ideia da eliminação das juntas de freguesia que eu defendia essa medida. Não faz sentido que as maternidades possam ser colocadas a centenas de quilómetros de distância que para lá se chegar é preciso passar por estradas sinuosas e por vezes em más condições de circulação mas as juntas de freguesia tenham que ser ali ao lado, para fazer o quê não sei. E não sei porque vivo à 10 anos numa freguesia de um conselho limítrofe de Lisboa, comprei casa, mudei-me, tratei de toda a documentação de licenças, imi's, imposto daquilo, planta assim, planta assado e quantas vezes tive que me deslocar  à junta de freguesia a que supostamente pertenço? Nenhuma, zero. Tudo o que até hoje tive que tratar de burocracias que estão ligadas ao facto de viver naquele local não passam pela junta. Tudo foi sempre tratado na Câmara que verdade seja dita não é muito longe da minha residência e posso por isso...

Impotência

Ligo a televisão e vejo que a crise está para ficar, uma atrás da outra, desfilam noticias sobre o desmoronar de uma sociedade uma dia próspera e desenvolvida. Imagens da Grécia em apuros, taxas de desemprego recorde um pouco por toda a Europa. Portugal junta-se a este rol de desgraças. Vemos os mesmos de sempre a ficar com tudo e a fugir às regras que deviam ser para todos e o resto da população a ficar cada vez mais pobre e miserável. Sucedem-se histórias de pessoas que num dia tinham uma vida dita normal e noutro estão na rua sem mesmo um tecto para pernoitar. Pessoas com formação, com experiência profissional válida em qualquer organização de que qualquer país se devia orgulhar, definham sem encontrar emprego e sustento. A tudo isto assisto pela televisão, através de outros, com um filtro e pergunto-me que consigo eu fazer para alterar esta situação. Sinto-me impotente. No outro dia passei por um sem abrigo, sujo, com os vários sacos que carrega atrás de si, não fiz nada e sinto-m...